Eurocopa – A nova geração francesa, campeã da última Copa, em 2018, já ouviu muito sobre as outras gerações históricas. Se em 1998, por exemplo, no primeiro título mundial Mbappé, a principal jóia dos ‘Bleus’, pôde presenciar (ainda que no ventre de sua mãe) Zidane e companhia, na geração de ouro (1982 – 84) somente seus pais e avós puderam sentir a conquista do primeiro título expressivo de sua nação.

Seleção francesa levantando a taça da Copa do Mundo, em 1998. Foto: FFF

Seleção francesa levantando a taça da Copa do Mundo, em 1998. Foto: FFF

Copa de 1982

Encantados com a apresentação da seleção na Copa de 82, o futebol e seus torcedores puderam acompanhar uma trajetória de desilusão à glória, em um intervalo de 2 anos. 

Ofensivo, competitivo e vibrante, alcançar a fase semifinal na mesma Copa que “reverenciou” o estilo de jogo da seleção de Telê Santana foi um marco importante para a formação daqueles jogadores. 

Michel Platini comemorando um de seus gols na Eurocopa de 1984. Foto: GettyImages

GERAÇÃO FRANCESA DE 1984 – Michel Platini comemorando um de seus gols na Eurocopa de 1984. Foto: GettyImages

 

Protagonistas de uma das partidas mais emocionantes de uma Copa do Mundo, a França empataria em 3 a 3 contra a Alemanha, levando pela primeira vez uma partida eliminatória, na história do torneio, a decisão para os pênaltis. O grande problema daquela decisão era que o jogador que decidiria para os alemães já não poderia estar em campo. Schumacher, goleiro alemão, nocauteou Battiston, que ficou inconsciente e com o maxilar quebrado após a dividida. 

Na situação, o árbitro Charles Corver interpretou que a jogada não esteve fora de legalidade e declarou lance normal de jogo. No final das contas, Schumacher pegou os pênaltis de Six e Bossis, impondo fim ao sonho francês naquele ano. 

Volta por cima em 1984

Mantendo a mesma base do mundial de 82, a volta por cima aconteceria 1984, na própria França. Municiados com o “carré magique”, aquele quarteto do meio campo composto por Fernández, Tigana, Giresse e Platini, aquela Eurocopa não poderia ter outro dono. 

No primeiro jogo, contra a equipe dinamarquesa, um placar magro garantiu a estreia com vitória. Na segunda partida, os belgas sentiriam na pele a gana de uma seleção engasgada com o último mundial e provida de muito futebol; 5 a 0 para os franceses e o primeiro grande show de Platini (3 gols na partida). 

No último jogo da fase inicial, Platini faria todos os gols daquela partida contra a Iugoslávia; 3 a 2. Se hoje como dirigente de futebol, Michel Platini gera raiva e repulsa com todas suas polêmicas envolvendo corrupção e prisão, a década de 80 tinha um dono aclamado, e vestia a 10 francesa. 

Na semifinal, o placar do último jogo se repetiu, mas com uma dose maior de emoção: virada na prorrogação com gol de Platini aos 119’ de partida. 

A final do torneio seria decidida na capital francesa. Parc des Princes lotado e a Espanha do outro lado. Na primeira etapa, muita disputa e zero eficiência; placar inalterado. Já na segunda etapa, a estrela de Platini brilharia pela última vez na Eurocopa – com a ajuda do goleiro espanhol Arconada – num gol de falta, abrindo o marcador. 

Já no final do jogo, Bellone marcaria o segundo gol: 2 a 0 para a França, e a consagração de um time prejudicado em 1982, mas preciso em 1984.